Famoso caçador de tornados anuncia viagem ao Rio Grande do Sul; saiba quem é
Meteorologista norte-americano pretende acompanhar a temporada de tempestades severas na região e prevê possibilidade de fenômenos extremos entre o fim do inverno e o início da primavera
Publicado em 13/08/2026 08:52 • Atualizado 13/08/2026 08:59
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O meteorologista norte-americano Reed Timmer, 46 anos, um dos caçadores de tornados mais conhecidos do mundo, anunciou no dia 9 de agosto que pretende trazer sua equipe ao Sul do Brasil nas próximas semanas para acompanhar a temporada de tempestades severas.

 

A mensagem foi publicada na rede social X, poucos dias depois de o Rio Grande do Sul registrar dois tornados confirmados pela Defesa Civil em um intervalo de nove dias, em Giruá e Pedro Osório.

 

Timmer escreveu o texto em resposta a um vídeo do tornado que atingiu a área rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no dia 8. Segundo ele, o El Niño estaria turbinando o chamado Beco dos Tornados da América do Sul, corredor de tempestades severas que abrange o Sul do Brasil, o Uruguai, o Paraguai e o centro da Argentina.

 

O meteorologista afirmou ainda esperar um tornado de intensidade F5 por dia no Sul do Brasil entre o fim do inverno e o início da primavera e disse que a Team Dominator, sua equipe de perseguição de tempestades, seguiria para a região em breve.

 

A previsão, porém, é uma avaliação pessoal de Timmer e não tem respaldo em prognósticos oficiais. Nenhum tornado F5 foi registrado no Brasil. O nível mais alto documentado no país é o F4, atribuído aos tornados de Itu (SP), em 1991, e de Rio Bonito do Iguaçu (PR), em novembro de 2025, que matou seis pessoas e feriu cerca de 800.

 

A escala Fujita, criada em 1971, vai de F0 a F5 e classifica os tornados pelos danos provocados, e não pela medição direta dos ventos. A versão aprimorada, conhecida como escala EF, considera também o comportamento de construções modernas.

 

Quem é Reed Timmer

Nascido em Grand Rapids, Michigan, Timmer filmou seu primeiro tornado em 1998, aos 18 anos, em Perry, Oklahoma. Doutor em meteorologia pela Universidade de Oklahoma desde 2015, ganhou projeção mundial ao participar da série Storm Chasers, do Discovery Channel, exibida entre 2007 e 2012.

 

Ele percorre mais de 80 mil quilômetros por ano atrás de tempestades severas e utiliza veículos blindados da série Dominator, adaptados para resistir a ventos extremos e permitir a aproximação de tornados.

 

Entre os episódios registrados por Timmer estão:

 

o interior de um tornado em LaGrange, Wyoming, em 2009, com rajada de 249,8 km/h

o surto de tornados de abril de 2011 no sudeste dos Estados Unidos

o tornado de El Reno, em 2013, durante cuja perseguição ficou ferido

o furacão Ian, em 2022, na Flórida, quando entrou na parede do olho do sistema

A equipe também utiliza drones, pequenas aeronaves e foguetes para lançar sondas meteorológicas dentro das tempestades e coletar dados que os radares não alcançam.

 

Timmer não informou datas, roteiro nem quantos veículos pretende trazer ao Brasil. Em publicações anteriores, mencionou deslocamentos pelo Paraná, por Santa Catarina e pelo Rio Grande do Sul. A primavera começa em 22 de setembro.

 

O que aconteceu em Giruá e Pedro Osório

O Rio Grande do Sul registrou dois tornados confirmados pela Defesa Civil em um intervalo de nove dias:

 

Giruá e região

Ocorreu por volta das 18h25min de 28 de julho

Atingiu áreas de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho

Foi associado a uma supercélula.

Um alerta laranja para tempestades severas havia sido emitido às 17h14min

Quatro pessoas ficaram feridas

Uma residência foi completamente destruída em Sete de Setembro

Comunidades de Giruá, como Rincão dos Coimbras, Rincão dos Mellos, Rincão dos Ribeiros, Amaral e Melgarejo, estiveram entre as mais atingidas

Pedro Osório

Ocorreu por volta das 17h15min de 6 de agosto, na Vila Matarazzo

Houve destelhamentos e quedas de árvores e postes

Árvores também caíram na BR-116, entre Pedro Osório e Arroio Grande

Não houve feridos

Por que dois tornados em nove dias

A repetição em intervalo tão curto chama atenção, mas o Rio Grande do Sul reúne condições naturalmente favoráveis a tempestades severas. O Estado fica na zona de encontro entre o ar frio que avança do sul do continente e da Antártica e o ar quente e úmido vindo do centro e do norte do Brasil.

 

— Não é acaso. Temos condições propícias à formação de tempestades severas no Rio Grande do Sul — afirma Anderson Ruhoff, climatologista e professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha.

 

Segundo Ruhoff, o Estado também apresenta condições para outros sistemas organizados, como os complexos convectivos de mesoescala. A posição geográfica explica parte do cenário, mas não a repetição recente.

 

— Dois eventos em um intervalo de uma ou duas semanas não é algo frequente. É uma situação preocupante — pondera.

 

Para a formação de um tornado, três ingredientes precisam se combinar:

 

Calor e umidade: fornecem a energia para a tempestade. Nos dois episódios, as temperaturas estavam acima do esperado para o inverno

Nuvens com condições favoráveis: uma cumulonimbus de grande desenvolvimento vertical pode formar o funil quando sua base está próxima da superfície

Um gatilho atmosférico: uma frente ou outro sistema força o ar quente a subir rapidamente e desencadeia o processo

— A umidade em si também é o combustível. Tivemos isso nos dois casos — explica Ruhoff.

 

Em Giruá, o gatilho foi uma frente semiestacionária de ar quente. Em Pedro Osório, uma frente fria associada ao ciclone extratropical.

 

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/viral/noticia/2026/08/famoso-cacador-de-tornados-anuncia-viagem-ao-rio-grande-do-sul-saiba-quem-e-cmsq7gr0m00l401hpmr1nkitp.html

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